Autor: Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre
Edição: 2026
Páginas: 538 pág. + 32 de Extra-texto
Editor: Edições Cosmos
ISBN: 9789727624621
Idioma: Português
Sinopse
O tempo de existência de Luís de Camões deve ser considerado um dos mais brilhantes momentos de sempre da produção cultural e artística portuguesa.
Num pano de fundo conturbado, desesperançado no futuro, descrente, emerso em generalizada crise na qual o Renascimento se esfuma, as conexões de Luís de Camões com as artes do seu tempo, à luz da estética do Maneirismo internacional, souberam abraçar de modo fervoroso os seus cânones de rebeldia e liberdade.
A comprovada relação do poeta com a Pintura (Fernão Gomes), com a Iluminura (Jerónimo Corte-Real), com a Caligrafia (Giraldo de Prado e Manuel Barata), com a Literatura de Viagens (Fernão Mendes Pinto), com a Teoria das Artes (Francisco de Holanda), com as Ciências (Pedro Nunes), com a Botânica (Garcia de Orta), com a História (Diogo do Couto, Francisco de Andrada), com o Teatro (Jorge Ferreira de Vasconcelos), com a Gravura (Jerónimo Luís) e com o melhor escol de poetas e escritores coetâneos, dá corpo a uma fase da cultura nacional que tem contornos de unicum e que a afirmam a nível internacional, contrariando a repetida mas errónea tese da decadência…
Génio consagrado pelos contemporâneos no plano máximo da conjuntura literária peninsular, o vate não foi, porém, personalidade isolada que brilha e se agiganta numa larga floresta de figuras menores. Nem é o poeta que conflitua e recusa relações de criação com os seus pares: novos contributos documentais provam as amizades de Camões com outros poetas de craveira como é o caso de António Ferreira, Diogo Bernardes, Pero de Andrade Caminha, D. Francisco de Moura e Francisco de Sá de Meneses, Conde de Matosinhos, sem esquecer o seu amigo D. Manuel de Portugal nem, sobretudo, Jerónimo Corte-Real, figura de primeiríssimo plano na cultura do tempo e sempre considerado poeta «excelentíssimo», a par do vate. Por outro lado, documentos de arquivo e testemunhos credíveis colocam-no com absoluta certeza presente em duas “cortes na aldeia” do termo de Santarém: uma delas, Vaqueiros, comenda de D. Gastão Coutinho (e de seu filho D. Gonçalo Coutinho), a outra Vale de Figueira, onde o poeta D. Manuel de Portugal (que era, também, tio por afinidade de Jerónimo Corte-Real) dinamizava uma tertúlia de literati, e onde a personagem Amôncio, ligada à saga do profeta Jonas, um tema benquisto da melhor pintura maneirista europeia, pode ser vista como anagrama do autor de Os Lusíadas.
Perfácio José Jorge Letria